A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, imunoprevenível, de evolução abrupta e gravidade variável, com elevada letalidade nas suas formas graves. Trata-se de uma doença hemorrágica viral transmitida por mosquitos infectados, causada por um arbovírus do gênero Flavivirus. O termo “amarela” se refere à icterícia que pode acometer alguns pacientes. A doença é endêmica em toda a Africa e América Latina, sendo dos 47 países afetados, 13 nas américas, incluindo Brasil, Colômbia e México.
Causas e Transmissão
O vírus da febre amarela é transmitido principalmente pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus, Sabethes e Aedes aegypti, sendo as fêmeas as responsáveis pela transmissão, pois o sangue é necessário para o desenvolvimento dos ovos. Existem três ciclos de transmissão: o silvestre, em que mosquitos infectados picam primatas e ocasionalmente humanos; o intermediário, com transmissão simultânea entre pessoas e primatas em áreas de contato; e o urbano, em que o mosquito Aedes aegypti transmite o vírus entre pessoas em ambientes densamente povoados com baixa imunidade vacinal.
O vírus não é transmitido diretamente de pessoa para pessoa nem entre macacos, apenas pela picada de mosquitos infectados. A introdução do vírus em áreas urbanas com alta densidade populacional e ausência de vacinação pode desencadear grandes epidemias. No Brasil, os últimos casos urbanos registrados ocorreram em 1942, mantendo-se atualmente o ciclo silvestre como predominante.
*****Importante: Os macacos não transmitem a febre amarela! Eles são importantes sentinelas para alerta em regiões onde o vírus está circulando. Macacos mortos são analisados em exames específicos para detectar se a causa morte foi Febre Amarela, o que aciona o alerta de cuidado com as pessoas.
Sintomas
Após um período de incubação de três a seis dias, os sintomas iniciais incluem:
- febre alta
- calafrios
- dor de cabeça intensa
- dores nas costas e no corpo
- fadiga
- náuseas
- vômitos e
- perda de apetite.
A maioria dos pacientes apresenta melhora em poucos dias. No entanto, cerca de 15% podem evoluir para uma forma mais grave, com retorno da febre e comprometimento de órgãos como fígado e rins, levando a icterícia, urina escura, dores abdominais com vômitos e sangramentos pela boca, olhos, nariz ou estômago.
Diagnóstico
O diagnóstico da febre amarela pode ser desafiador nos estágios iniciais, pois os sintomas se assemelham a outras doenças como dengue, hepatites, malária, leptospirose e febres hemorrágicas. A confirmação pode ser por exames laboratoriais. Nos primeiros dias, pode-se detectar o vírus por RT-PCR. Em fases mais avançadas, utiliza-se a detecção de anticorpos por testes como ELISA e PRNT.
No caso de qualquer um dos sintomas da doença, procure imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica adequada. O profissional fará os exames necessários para diagnosticar a doença, assim como sua gravidade, para escolher a melhor forma de tratamento.
Prevenção
A principal forma de prevenção é a vacinação, considerada segura, eficaz e acessível. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta vacina contra febre amarela para toda população desde abril de 2017. Uma única dose garante proteção vitalícia. A vacina é recomendada para pessoas a partir de nove meses de idade, sendo contraindicada para crianças menores, gestantes, pessoas com alergia grave a ovo, imunodeficiências graves e idosos com mais de 60 anos sem avaliação médica.
Em áreas de alto risco, é fundamental alcançar cobertura vacinal de pelo menos 80% da população para evitar a propagação do vírus. A OPAS recomenda campanhas de vacinação em massa, imunização de rotina em lactentes e vacinação de viajantes. Além disso, o controle dos mosquitos vetores, com eliminação de criadouros, aplicação de larvicidas e uso de repelentes e roupas protetoras, é indispensável. A vigilância de mortes de primatas também é uma estratégia importante, pois eles atuam como sentinelas da circulação viral.
Outra medida complementar é o uso do método Wolbachia, desenvolvido pelo World Mosquito Program. Essa abordagem consiste na introdução da bactéria Wolbachia em mosquitos Aedes aegypti, o principal vetor urbano da febre amarela. A Wolbachia reduz a capacidade do mosquito de transmitir o vírus, podendo contribuir para a diminuição da transmissão da febre amarela em áreas urbanas, além de também atuar no combate a outras arboviroses como dengue, Zika e chikungunya.
A rápida detecção de casos e a resposta emergencial, com campanhas de vacinação e investigação epidemiológica, são essenciais para conter surtos. A OMS recomenda que todos os países em risco tenham laboratórios aptos à testagem do vírus e mantenham estoques de vacinas prontos para uso em emergências.
Panorama Global
A febre amarela causa cerca de 200.000 infecções e 30.000 mortes por ano, especialmente em países da África e América Latina. A Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde têm atuado ativamente no apoio aos países afetados, oferecendo vacinas, equipamentos e estratégias de resposta. No Brasil, houve expansão das áreas de transmissão nos últimos anos, mesmo fora do período sazonal.
Em resposta à ameaça global representada por surtos urbanos e exportação do vírus, foi lançada a Estratégia EYE (Eliminate Yellow Fever Epidemics), liderada pela OMS, UNICEF e Gavi. Essa estratégia busca proteger populações em risco, conter surtos rapidamente e evitar a propagação internacional. Ela apoia 40 países e envolve mais de 50 parceiros, fortalecendo campanhas de vacinação, vigilância, controle vetorial e preparação urbana. Espera-se que mais de 1 bilhão de pessoas estejam protegidas até 2026.
Fonte:
World Mosquito Program – WMP
Ministério da Saúde – MS
Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS