Uma revisão publicada na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases reuniu e analisou as evidências disponíveis sobre a relação entre custos e benefícios de intervenções baseadas em Wolbachia para o controle da dengue. O estudo avaliou pesquisas realizadas em diferentes países e concluiu que, especialmente em grandes áreas urbanas com alta incidência da doença, essas intervenções apresentam potencial para gerar benefícios econômicos e de saúde pública ao longo do tempo.

O que é o Método Wolbachia?

O Método Wolbachia é uma tecnologia de controle das arboviroses que utiliza a Wolbachia, uma bactéria presente na maioria dos insetos, mas quando presente no Aedes aegypti reduz a capacidade de transmissão das doenças. A bactéria não modifica o DNA do mosquito, sendo uma estratégia natural, segura, autossustentável e eficaz.

Qual a pergunta que a pesquisa responde?

A revisão buscou responder à seguinte pergunta: as intervenções baseadas em Wolbachia para o controle da dengue são custo-efetivas? Além disso, os autores procuraram identificar quais fatores influenciam esses resultados, quais são as principais diferenças entre os estudos existentes e quais lacunas de conhecimento ainda precisam ser investigadas.

Por que isso importa?

Com o aumento da incidência da dengue em todo o mundo e a ausência de um tratamento específico para a doença, torna-se cada vez mais importante avaliar não apenas se novas tecnologias funcionam, mas também se representam um bom investimento para os sistemas de saúde e para a sociedade. Segundo os autores, compreender a custo-efetividade dessas intervenções é essencial para apoiar decisões sobre sua adoção em larga escala e orientar futuras políticas públicas.

O que diz a pesquisa?

Os pesquisadores realizaram uma revisão de escopo da literatura científica publicada até 29 de abril de 2024. Foram consultadas cinco bases de dados internacionais, sem restrição de idioma ou período de publicação. Após o processo de seleção, nove estudos atenderam aos critérios de inclusão e foram analisados em profundidade. Oito deles avaliaram programas de substituição da população de mosquitos e apenas um investigou uma estratégia de supressão.

O que a pesquisa descobriu?

A revisão mostrou que as avaliações econômicas disponíveis apontam resultados consistentes para programas de substituição da população de mosquitos com Wolbachia em áreas urbanas densamente povoadas. Nesses cenários, as intervenções foram consideradas custo-efetivas e, em diversos estudos, apresentaram potencial para gerar economia de recursos para a sociedade ao longo do tempo. Os autores observaram ainda que os resultados variam conforme fatores como a incidência de dengue na região, o tamanho da população atendida, o custo da implementação e a duração do efeito da intervenção.

Qual a conclusão?

Os autores concluem que as evidências atualmente disponíveis indicam que programas de substituição baseados em Wolbachia podem ser uma estratégia custo-efetiva para o controle da dengue quando direcionados a áreas urbanas com alta densidade populacional. Eles destacam, porém, que novas pesquisas são importantes para compreender melhor como diferenças entre os cenários epidemiológicos influenciam os resultados, avaliar a combinação da estratégia com outras medidas de prevenção e tornar as futuras análises econômicas mais comparáveis e transparentes.

 

O estudo foi conduzido por Hugo C. Turner, Trinh Manh Hung, Oliver J. Brady, Raman Velayudhan, Ilaria Dorigatti e Hannah E. Clapham, pesquisadores vinculados ao Imperial College London, The University of Queensland, London School of Hygiene & Tropical Medicine, Organização Mundial da Saúde (OMS) e National University of Singapore. O artigo foi publicado em junho de 2026 na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases.

 

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