Uma nova revisão sistemática com meta-análise, publicada em 2026 na revista científica Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, reuniu as principais evidências disponíveis sobre o uso da Wolbachia no controle da dengue. O estudo analisou pesquisas realizadas em diferentes países e concluiu que a implantação do Método Wolbachia está associada a uma redução substancial na incidência da doença em regiões endêmicas.

O que é o Método Wolbachia?

O Método Wolbachia é uma tecnologia inovadora de controle das arboviroses que utiliza mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos do planeta, mas não no Aedes aegypti.

Quando os Wolbitos, como chamamos os Aedes aegypti com Wolbachia, são liberados em uma região, eles se reproduzem com a população local de mosquitos e transmitem naturalmente a bactéria para as próximas gerações. Com o tempo, a maioria dos mosquitos da área passa a carregar Wolbachia, reduzindo significativamente sua capacidade de transmitir vírus como dengue, Zika e chikungunya.

Qual pergunta a pesquisa responde?

A principal pergunta investigada pelos pesquisadores foi: as liberações de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia realmente reduzem a incidência de dengue em condições reais de uso? 

Para responder a essa questão, os autores reuniram e analisaram os resultados de nove estudos realizados em diferentes regiões endêmicas, envolvendo mais de oito milhões de pessoas.

Por que isso importa?

A dengue continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública em diversos países. Apesar das estratégias tradicionais de controle do mosquito, como eliminação de criadouros e aplicação de inseticidas, a doença continua provocando grandes epidemias.

Por isso, é fundamental que novas tecnologias sejam constantemente avaliadas por meio de pesquisas científicas independentes. Revisões sistemáticas e meta-análises ocupam um dos níveis mais elevados de evidência científica justamente porque sintetizam os resultados de diversos estudos realizados em diferentes contextos.

O que diz a pesquisa?

A revisão analisou estudos conduzidos na Austrália, Brasil, Colômbia, Indonésia, Malásia e Singapura, incluindo ensaios clínicos randomizados e estudos de implementação em larga escala.

Ao reunir todos os resultados, os pesquisadores observaram que a implantação da Wolbachia esteve associada, em média, a uma redução de aproximadamente 85% na incidência de dengue quando comparada às áreas sem a tecnologia.

Outro resultado importante foi que programas implementados em áreas amplas, como cidades inteiras, apresentaram impactos ainda maiores do que implantações realizadas apenas em bairros ou regiões específicas.

O que a pesquisa descobriu?

Os autores identificaram alguns pontos importantes:

Os pesquisadores também destacam que diferenças entre os locais estudados, como cobertura alcançada, estratégias de implantação e sistemas de vigilância, explicam parte da variação encontrada nos resultados.

Qual a conclusão?

Os autores concluem que as liberações de Aedes aegypti com Wolbachia constituem uma estratégia eficaz para reduzir a transmissão da dengue em regiões endêmicas.

O estudo reforça que o Método Wolbachia pode desempenhar um papel importante dentro dos programas integrados de controle da dengue, especialmente quando implantado em larga escala e aliado às demais ações de vigilância e eliminação de criadouros.

Ao reunir evidências produzidas em diferentes países, a pesquisa fortalece o conjunto de estudos científicos que vêm demonstrando, ao longo dos últimos anos, o potencial do Método Wolbachia como uma ferramenta inovadora para contribuir com a proteção das populações contra as arboviroses.

 

O estudo foi conduzido por Husni Mubarak Zainal, com coautoria de Husni Mubarak Zainal, Ricardo Soares Guimarães, Abdullah Al Owesie, Laura Santos Ribeiro, Andrea Roman-Pimentel, Tanika Sharma, Vitória Nallin de Godoy e Rafael Bezerra Mendes. O artigo foi publicado em 2026 na revista científica Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, da Oxford University Press.

 

Leia o artigo na íntegra aqui.